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Requisitos do salário-maternidade para desempregada e os documentos que provam cada um

Os requisitos do salário-maternidade da desempregada são dois: manter a qualidade de segurada do INSS na data do parto (período de graça) e comprovar o parto, a adoção ou a guarda para adoção. Carência não é mais exigida. Na prática, quem prova esses requisitos são quatro documentos: carteira de trabalho, extrato do CNIS, termo de rescisão e, se houver, o comprovante do seguro-desemprego, além da certidão de nascimento.

Por Dra. Ana Messielle, advogada previdenciáriaAtualizado em 24 de outubro de 2026

Para quem tem pressa

  • Requisito 1: qualidade de segurada na data do parto, dentro do período de graça.
  • Requisito 2: prova do fato gerador, que é a certidão de nascimento ou o termo de guarda ou adoção.
  • A carência foi dispensada para todas as categorias pela IN PRES/INSS nº 188/2025.
  • O documento que mais evita problemas é o termo de rescisão, porque prova a data de saída.
  • O seguro-desemprego comprova o desemprego e pode estender o período de graça para 24 meses.

Checklist de requisitos

  • Ter sido segurada do INSS: ter trabalhado com carteira, como doméstica, avulsa, contribuinte individual (inclui MEI) ou ter contribuído como facultativa.
  • Estar no período de graça na data do parto: 12 meses após a última contribuição como regra; mais 12 com desemprego comprovado; mais 12 com mais de 120 contribuições sem perda da qualidade; 6 meses para facultativa (art. 15 da Lei 8.213/91).
  • Comprovar o fato gerador: nascimento, natimorto, adoção ou guarda judicial para fins de adoção de criança até 12 anos, ou aborto não criminoso (neste caso, o benefício é de 14 dias).
  • Não estar trabalhando no período: o salário-maternidade substitui a renda durante o afastamento.

O que não é requisito: número mínimo de contribuições, estar com seguro-desemprego ativo, ter sido demitida de um jeito específico ou ter engravidado durante o emprego.

Documento por documento

DocumentoO que ele provaOnde conseguir
Documento oficial com foto e CPFSua identidadeRG, CNH ou carteira de trabalho física
Certidão de nascimento da criançaO fato gerador e a data que inicia o benefícioCartório de registro civil, depois do registro do bebê
Extrato do CNISVínculos e salários registrados no INSSMeu INSS, opção de extrato de contribuição (CNIS)
Carteira de trabalho (física ou digital)Data de admissão, de saída e funçãoAplicativo Carteira de Trabalho Digital ou a carteira de papel
Termo de rescisão do contrato (TRCT)A data exata em que o vínculo terminouEntregue pela empresa na saída; peça cópia ao RH se perdeu
Comprovante do seguro-desempregoQue você ficou desempregada, para estender o período de graçaPortal gov.br ou aplicativo da Carteira de Trabalho Digital
Holerites dos últimos mesesSalários que não aparecem no CNIS e que mudam o valorArquivo pessoal, e-mail ou RH da antiga empresa
Termo de guarda ou nova certidão (adoção)A adoção ou a guarda para fins de adoçãoVara da Infância e Juventude
Exemplo ilustrativo

Caso fictício. Tatiane trabalhou 7 meses registrada e foi dispensada. O CNIS dela mostra o vínculo, mas sem data de saída. Ela fez o pedido logo depois do parto, anexando só os documentos pessoais e a certidão de nascimento, e recebeu uma exigência pedindo comprovação do encerramento do vínculo. Ao enviar o termo de rescisão e a página da carteira com a baixa, a pendência foi resolvida. Se tivesse anexado esses dois documentos desde o início, a exigência provavelmente não teria sido aberta.

Quando o CNIS e a carteira não batem

A divergência mais comum nos pedidos de desempregada é o vínculo que aparece no CNIS sem data de saída. Isso acontece quando a empresa não informou a rescisão corretamente. Para o sistema, você ainda estaria empregada, e o pedido pode ser negado com a orientação de que a empresa deveria pagar. A solução é anexar o termo de rescisão e a página da carteira com a baixa, ou pedir o acerto do CNIS.

Outro caso frequente é o vínculo que não aparece no CNIS, embora esteja na carteira. A carteira de trabalho assinada vale como prova do vínculo, e o INSS pode pedir documentos complementares. Se o emprego nunca foi registrado, a prova é mais difícil e pode depender de ação trabalhista ou de um conjunto de documentos e testemunhas. É nesse ponto que a análise de uma advogada previdenciária, como a Dra. Ana Messielle, costuma economizar tempo, porque cada lacuna pede uma prova diferente.

Como provar o desemprego sem seguro-desemprego

Quem não recebeu seguro-desemprego, por não ter tempo suficiente ou por ter pedido demissão, ainda pode tentar comprovar a situação de desemprego para ganhar os 12 meses extras do período de graça. A Súmula 27 da TNU diz que a falta de registro em órgão do Ministério do Trabalho não impede essa prova por outros meios. Exemplos que costumam ser usados:

  • inscrição no SINE ou em programas de recolocação;
  • cadastro em sites de vagas com histórico de candidaturas;
  • declarações e testemunhas sobre a busca de emprego;
  • ausência de qualquer vínculo ou contribuição no CNIS no período, junto com outros elementos.

O STJ já decidiu que a simples ausência de anotação na carteira, sozinha, não basta. Por isso convém reunir mais de um tipo de prova.

Antes de enviar o pedido

  1. Confira a data do último dia de trabalho na rescisão e no CNIS.
  2. Calcule até quando vai o seu período de graça e compare com a data do parto.
  3. Digitalize tudo em arquivos legíveis, uma página por imagem.
  4. Faça o pedido no Meu INSS depois do nascimento, como explica o guia do salário-maternidade da desempregada.

Se o INSS já negou o pedido, a página sobre salário-maternidade negado mostra os motivos mais comuns e como cada um é tratado.

Perguntas frequentes

Perdi o termo de rescisão. O que eu faço?

Peça uma segunda via ao RH da antiga empresa. Se a empresa fechou ou não responde, use a baixa na carteira de trabalho física ou digital, os extratos do FGTS com o saque da rescisão e o comprovante do seguro-desemprego. Esses documentos, juntos, costumam ser suficientes para provar a data de saída.

A carteira de trabalho digital serve no lugar da física?

Serve como fonte de informação, mas ela mostra o que a empresa enviou ao eSocial. Se houver erro, o erro aparece lá também. Quem tem a carteira física com a baixa assinada deve anexá-la, principalmente para vínculos mais antigos ou quando a versão digital estiver incompleta.

Preciso de atestado médico sendo desempregada?

Para o pedido feito depois do parto, o documento principal é a certidão de nascimento. O atestado médico é exigido de quem quer começar o benefício até 28 dias antes do parto, o que, na regra do INSS, vale para seguradas em atividade. A desempregada pede a partir do nascimento.

Tenho mais de um vínculo antigo. Preciso juntar todos?

Junte principalmente os vínculos dos últimos anos. Eles podem mostrar que você tem mais de 120 contribuições sem perda da qualidade de segurada, o que estende o período de graça. Também ajudam a conferir os salários usados na média do valor do benefício.

Dra. Ana Messielle
Quem escreve Dra. Ana Messielle

Advogada com atuação exclusiva em Direito Previdenciário há mais de 4 anos. Acompanha pedidos no INSS, recursos e ações judiciais de segurados de todo o Brasil, com atendimento online e presencial em São Paulo, com horário agendado.

Ana Messielle Lima de Oliveira, OAB/SP nº 000.000 (confirmar). Conteúdo informativo; cada caso depende de análise individual.

Quer conferir se os seus documentos estão completos?

Envie o extrato do CNIS e a rescisão. A Dra. Ana analisa as datas e indica o que falta antes de você fazer o pedido.

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