Em poucas palavras
- O valor é 50% do salário de benefício, corrigido até o mês anterior ao início.
- A data de início (DIB) é o dia seguinte à cessação do auxílio-doença.
- Há 13º e reajuste anual, como nos demais benefícios.
- O período recebendo só auxílio-acidente não conta como tempo de contribuição nem carência.
- Na aposentadoria, o valor do auxílio-acidente soma ao salário de contribuição de cada mês.
A linha do tempo de um caso típico
- Acidente. Você sofre a lesão e é atendido. Os primeiros 15 dias de afastamento, se você é empregado, são pagos pela empresa.
- Auxílio por incapacidade temporária. A partir do 16º dia, o INSS paga o antigo auxílio-doença, de 91% do salário de benefício, limitado à média dos últimos 12 salários de contribuição.
- Tratamento e consolidação. Com cirurgia, fisioterapia e tempo, o quadro estabiliza.
- Fim do auxílio-doença. A perícia conclui que você pode voltar a trabalhar, ou o prazo do benefício acaba.
- Início do auxílio-acidente. Se ficou sequela que reduz a capacidade, o auxílio-acidente começa no dia seguinte à cessação do auxílio-doença (art. 86, §2º). O STJ confirmou essa data no Tema 862.
- Vida profissional com o benefício. Você volta a trabalhar e recebe salário e benefício ao mesmo tempo.
- Aposentadoria. O auxílio-acidente é pago até a véspera do início da aposentadoria e então termina.
Nem todo caso segue essa ordem. Muitas vezes o INSS encerra o auxílio-doença sem analisar a sequela e o segurado precisa pedir o auxílio-acidente depois. Quando isso acontece, é possível buscar as parcelas desde o dia seguinte ao fim do auxílio-doença, respeitado o limite de cinco anos. Esse assunto está em auxílio-acidente retroativo.
Como o valor é calculado
O ponto de partida é o salário de benefício: a média de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994 (ou desde o início das contribuições, se posterior), corrigidos, conforme a regra da Reforma da Previdência de 2019. É o mesmo salário de benefício que serviu de base para o auxílio-doença. O auxílio-acidente corresponde a 50% desse valor, corrigido até o mês anterior ao início do pagamento (art. 104, §1º, do Decreto 3.048/99).
Um detalhe confunde muita gente: o auxílio-acidente não é a metade do que você recebia de auxílio-doença. O auxílio-doença usa 91% do salário de benefício e ainda sofre o limite da média dos 12 últimos salários. O auxílio-acidente usa 50% do salário de benefício cheio, sem esse limite.
Como tem natureza indenizatória, o valor pode ficar abaixo do salário mínimo. Ele é reajustado uma vez por ano, junto com os demais benefícios, e entra no abono anual.
Exemplo numérico ilustrativo
Os dados a seguir são fictícios e servem só para mostrar a lógica do cálculo. Carlos, eletricista empregado, tem salário de benefício de R$ 3.200,00. O último salário dele era R$ 3.000,00 e a média dos 12 últimos salários era R$ 2.900,00.
- Auxílio-doença: 91% de R$ 3.200,00 daria R$ 2.912,00, mas o limite da média dos 12 últimos salários reduz o valor para R$ 2.900,00.
- Auxílio-acidente: 50% de R$ 3.200,00, ou seja, R$ 1.600,00 por mês, pagos junto com o salário quando ele volta ao trabalho.
- Anos depois, na aposentadoria: em cada mês em que recebeu o auxílio-acidente, os R$ 1.600,00 corrigidos são somados ao salário de contribuição daquele mês para compor a média, dentro do teto.
O que acontece quando você se aposenta
Desde a Lei 9.528/1997, o auxílio-acidente não pode ser acumulado com aposentadoria. Mas a mesma lei criou uma compensação no art. 31 da Lei 8.213/91: o valor mensal do auxílio-acidente integra o salário de contribuição para o cálculo do salário de benefício de qualquer aposentadoria.
Na prática, em cada mês em que você recebeu o auxílio-acidente, o valor dele é somado ao salário de contribuição daquele mês, respeitado o teto do INSS. Isso eleva a média e, com ela, a aposentadoria.
Os tribunais, inclusive o TRF da 3ª Região, que julga os casos de São Paulo, entendem que o período em que a pessoa recebeu apenas o auxílio-acidente, sem trabalhar nem contribuir, não conta como tempo de contribuição nem como carência. O benefício melhora o valor, mas não substitui as contribuições. Quem planeja a aposentadoria precisa considerar esses dois efeitos; o tema é tratado em planejamento previdenciário.
Pausas e mudanças no meio do caminho
- Nova incapacidade pela mesma lesão: o auxílio-doença é reaberto e o auxílio-acidente fica suspenso até ele terminar.
- Incapacidade por outra causa: os dois benefícios são pagos juntos.
- Desemprego: o auxílio-acidente continua e pode ser recebido junto com o seguro-desemprego.
- Óbito: o benefício acaba e não se transforma em pensão. Os dependentes podem ter direito à pensão por morte se a pessoa mantinha a qualidade de segurado.
Quem quer entender por quanto tempo o benefício dura, e por que antes de 1997 ele era vitalício, encontra os detalhes em auxílio-acidente é vitalício?. A Dra. Ana Messielle costuma revisar o cálculo do benefício junto com o extrato do CNIS, porque salários de contribuição faltando no cadastro reduzem a média e, com ela, o valor.
Perguntas frequentes
Em que dia do mês o auxílio-acidente cai na conta?
Segue o calendário de pagamentos do INSS, que leva em conta o último dígito do número do benefício, sem o dígito verificador, e se o valor é de até um salário mínimo ou acima dele. O pagamento acontece entre os últimos dias úteis de um mês e os primeiros do mês seguinte, e a data aparece no Meu INSS.
Sofri um segundo acidente. Posso receber dois auxílios-acidente?
Não. O art. 124, V, da Lei 8.213/91 proíbe o recebimento conjunto de mais de um auxílio-acidente. Se um novo acidente deixar outra sequela, a situação é analisada considerando o benefício que você já recebe, mas o INSS não paga dois ao mesmo tempo. Vale conferir, com a documentação dos dois eventos, qual enquadramento é mais adequado.
Por que meu auxílio-acidente veio com um valor tão baixo?
Geralmente por dois motivos: a média de salários de contribuição é baixa, porque inclui períodos de remuneração menor desde 1994, ou há salários faltando no CNIS. Conferir o extrato e a memória de cálculo da carta de concessão ajuda a identificar se houve erro que permita pedir revisão.
Se eu receber auxílio-acidente por anos, minha aposentadoria fica maior?
Pode ficar, porque o valor do auxílio-acidente é somado ao salário de contribuição de cada mês no cálculo da média. O efeito é maior quando a pessoa trabalhou e recebeu o benefício ao mesmo tempo, e sempre respeita o teto do INSS. Os meses sem trabalho, só com o benefício, não contam como tempo.
O INSS faz perícias periódicas em quem recebe auxílio-acidente?
O auxílio-acidente não tem data de cessação como o auxílio-doença, porque a sequela é definitiva. Ele não está entre os benefícios que exigem revisões médicas regulares, mas o INSS pode rever concessões quando encontra indício de irregularidade, como em qualquer benefício.
Advogada com atuação exclusiva em Direito Previdenciário há mais de 4 anos. Acompanha pedidos no INSS, recursos e ações judiciais de segurados de todo o Brasil, com atendimento online e presencial em São Paulo, com horário agendado.
Ana Messielle Lima de Oliveira, OAB/SP nº 000.000 (confirmar). Conteúdo informativo; cada caso depende de análise individual.